Mercado solar no Brasil: O polo de energias renováveis que mais cresce na América Latina

Notícias do setor – 1 de junho de 2026

O Brasil consolidou-se rapidamente como o mercado solar mais dinâmico da América Latina, afirmando-se como uma das principais regiões de expansão FV no mundo. Em 2024, o país chegou à 4ª posição entre os maiores mercados solares globais ao adicionar 18,9 gigawatts (GW) em apenas um ano, segundo a SolarPower Europe. O estudo Global Market Outlook for Solar Power aponta que o Brasil alcançou em 2024 cerca de 53 GWCA de capacidade FV acumulada. O rápido crescimento prosseguiu: a ABSOLAR, entidade nacional do setor, informa que o país superou os 60 GW em meados de 2025. A EPE, agência federal de planejamento energético, divulgou dados indicando que em 2024 a energia FV já supria 9,3% da demanda total de eletricidade. Com abundantes recursos solares, demanda crescente por energia, um marco regulatório estável e um setor solar em expansão, a energia solar consolida-se como um pilar central da matriz energética limpa no Brasil.

O mercado solar brasileiro divide-se em dois segmentos principais: grandes empreendimentos de geração centralizada e o setor de geração distribuída (GD) em rápida expansão. A geração solar de grande porte continua a avançar sobretudo nas regiões Nordeste e Sudeste, onde elevados níveis de irradiação e disponibilidade territorial favorecem projetos de centenas de megawatts.

Simultaneamente, a geração distribuída é hoje um elemento central do setor FV nacional. Milhões de sistemas de pequeno e médio porte já foram instalados desde a introdução do sistema de compensação de energia em 2012, que estabeleceu regras claras e de longo prazo para o prossumidor. Segundo o Global Market Outlook for Solar Power, o Brasil instalou 9,5 GWCA em geração distribuída em um único ano, 2024.

Apesar dos ajustes graduais no mecanismo de compensação da GD, a demanda de mercado permanece robusta, sustentada por tarifas elevadas de energia elétrica no varejo e prazos de retorno atraentes, inclusive para os segmentos comercial e industrial (C&I). Segundo a ANEEL, agência reguladora do setor elétrico, foi instalado um total de 1 GW de capacidade no segmento C&I no primeiro semestre de 2025. A expectativa é de que esse segmento receba um impulso adicional com a hibridização com baterias, à medida que os custos caem.

Potencial e desafios

O potencial brasileiro assenta-se em excelentes recursos solares e em um mercado que já atingiu uma escala expressiva. A ABSOLAR relata por volta de US$ 40 bilhões em investimentos acumulados e mais de 1,38 milhão de empregos gerados em toda a cadeia de valor FV, evidenciando um ecossistema maduro de desenvolvedoras, empreiteiras e prestadoras de serviços. A estrutura da geração distribuída oferece um motor adicional de crescimento, capaz de expandir a energia FV para residências, PMEs, agricultura e grandes consumidores corporativos. Além disso, há canais institucionais de financiamento disponível para apoiar projetos de energia renovável de alto investimento.

Entretanto, persistem certos desafios. Embora os custos globais da FV tenham caído expressivamente na última década, o Brasil introduziu um fator de contenção em 2024/25 ao elevar de 9,6% para 25% a alíquota de importação de módulos FV, com uma transição baseada em cotas tarifárias cujo impacto se estendeu até 2025. Filas para conexão à rede e gargalos de transmissão vêm entravando tanto projetos de grande porte quanto de GD, especialmente em regiões onde o crescimento das renováveis superou a expansão da infraestrutura elétrica. O financiamento também segue sendo um ponto crítico: altas taxas de juros e volatilidade cambial aumentam o custo de capital, sobretudo para investidores de fora. Por fim, as diferenças regulatórias entre estados e municípios gera incerteza no desenvolvimento de projetos.

Embora a geração distribuída continue sendo o principal motor de crescimento da energia solar no Brasil, a geração centralizada vem ganhando força, com expansão de 38% em 2024. O hidrogênio verde desponta como outro potencial catalisador de projetos FV de vários gigawatts. Projetos-piloto de usinas FV flutuantes em reservatórios hidrelétricos de Minas Gerais e São Paulo indicam uma diversificação tecnológica, enquanto que a energia solar fora da rede, quase sempre associada a baterias, apoia a eletrificação sustentável de regiões isoladas.

  • A Atlas Energia Renovável está construindo o Complexo Solar Draco em Minas Gerais, composto por 11 usinas FV com capacidade total de 505 MWCA e investimento aproximado de US$ 185 milhões.

  • A Newave Energia e a Gerdau firmaram parceria para a construção do Parque Solar Barro Alto em Goiás, com capacidade planejada de 452 MWp e investimento estimado em US$ 250 milhões.

  • Em Pernambuco, encontra-se em construção o Complexo Fotovoltaico Sol do Agreste, com 170 MW. Desenvolvido pela Atiaia Renováveis, o projeto representa um investimento de US$ 153 milhões.

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